Alexandre Bartoli – Psicólogo para Brasileiros no Exterior

Brasileiro no exterior: saudade, adaptação e saúde mental

Quando a vida fora do Brasil parece ter dado certo, mas alguma coisa ainda pesa por dentro.

Você termina uma chamada com a família no domingo.

A conversa foi boa. Vocês falaram da semana, trocaram notícias, riram de algumas coisas.

Mas, quando a ligação termina, o silêncio da casa parece maior.

Por fora, muita coisa pode ter funcionado.

A carreira avançou. A rotina ficou mais organizada. A vida ganhou novas possibilidades.

Mesmo assim, isso não elimina a saudade, a solidão ou a sensação de ainda estar tentando encontrar o seu lugar.

Morar fora não é apenas mudar de endereço.

Você também precisa reconstruir referências, vínculos, rotina e pertencimento.

E esse processo não acontece de forma linear.

Há dias em que você se sente completamente integrado.

Em outros, uma comida, uma música, uma conversa em português ou uma data importante no Brasil pode lembrar a distância de tudo aquilo que continua fazendo parte de você.

Talvez uma das partes mais difíceis seja admitir que essas duas experiências podem existir ao mesmo tempo.

Você pode reconhecer as oportunidades que conquistou e ainda sentir falta da vida que deixou.

Pode gostar de morar fora e, ainda assim, sentir solidão.

Pode ter feito uma escolha importante para a sua vida e continuar enfrentando dificuldades para se adaptar.

Uma coisa não invalida a outra.

O problema começa quando você entende que precisa estar bem o tempo inteiro para justificar a decisão de ter saído do Brasil.

Então você segue funcionando.

Trabalha.

Resolve problemas.

Cumpre compromissos.

Mantém contato com quem ficou.

Mas começa a perceber alterações no sono, dificuldade para descansar, irritabilidade, cansaço ou a sensação de que os momentos de folga nunca são suficientes.

Talvez o ponto não seja tentar eliminar a saudade.

Pode ser importante compreender o lugar que ela ocupa na sua história e construir uma vida no exterior em que você não precise abandonar aquilo que também faz parte de quem você é.

Pertencer não significa apagar a sua origem.

Também não significa escolher entre o Brasil e o país onde você vive hoje.

Em muitos casos, significa conseguir construir uma vida que comporte essas duas referências.

E talvez essa seja uma pergunta importante:

Como tem sido para você viver aquilo que conquistou no exterior sem precisar negar a saudade, a solidão ou as dificuldades que também fazem parte dessa experiência?

Quando essas questões começam a ocupar espaço demais na rotina, a psicoterapia pode ser um espaço para compreender o que está acontecendo, sem precisar explicar ou justificar o que você sente.

Alexandre Bartoli

Psicólogo – CRP-04 / 86889

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