Axé sur le contraste entre la métrique et la réalité

Alexandre Bartoli · Psychologue · CRP 04/86889

Você recebe um e-mail com um coração amarelo e dicas de meditação. Dez minutos depois, chega uma notificação urgente no Slack sobre um deploy que falhou e a pressão recomeça como se aquele e-mail nunca tivesse existido.

Na rotina de tecnologia, nós nos tornamos especialistas em monitorar a saúde da infraestrutura, mas muitas vezes falhamos em observar a saúde de quem sustenta o código.

É muito comum que as empresas utilizem o mês de setembro para falar sobre prevenção ao suicídio e acolhimento. No entanto, o que acontece nos outros onze meses do ano dentro das squads?

A responsabilidade das organizações vai muito além de publicar um post ou distribuir brindes amarelos. Cuidar da saúde mental no trabalho envolve olhar para o tamanho do backlog, para a cultura do on call permanente e para a forma como o erro é tratado nas retrospectivas.

Quando o ambiente é pautado pela disponibilidade constante e pela cobrança desproporcional, o acolhimento vira apenas uma estratégia de marketing.

Muitos profissionais de tecnologia relatam que sentem medo de admitir o cansaço ou uma dificuldade emocional porque temem ser vistos como o elo fraco da equipe. Existe uma pressão silenciosa para performar como uma máquina, ignorando que o esforço criativo e técnico exige descanso real.

Abaixo, compartilho um texto que circula nas redes e que nos convida a pensar sobre essa inconsistência entre o discurso e a prática diária:

Em janeiro, João tinha TOC e foi chamado de louco.

Em fevereiro, Paula era bipolar e a chamaram de doida.

Em março, Júlia tinha crises de ansiedade e diziam para ela focar no presente.

Em abril, Leandra tinha anorexia e ouvia as pessoas rindo e falando dela.

Em maio, Maria teve síndrome do pânico e disseram que era frescura.

Em junho, Pedro teve depressão e foi chamado de fraco.

Em julho, Lucas descobriu a esquizofrenia e disseram que era invenção da sua cabeça.

Em agosto, Daniel teve transtorno da personalidade borderline e falavam que ele queria chamar atenção.

Em setembro, tudo ficou amarelo. As pessoas começaram a entender todos os problemas e nos estenderam a mão. Nos medicaram e publicaram textos em suas redes sociais para nos apoiar.

Porém, em outubro, continuaram a nos chamar de loucos e fracos. Também diziam que nos faltava fé.

Sua vida é tão boa. Como pode reclamar?, eles diziam.

Em novembro, Pedro se matou.

Mas ele era tão jovem. Era uma pessoa tão boa.

Porém, tudo o que Pedro queria era que todos os meses fossem amarelos. Que os julgamentos acabassem e que as pessoas realmente entendessem que os problemas psicológicos não são escolhas nossas e que precisamos de ajuda. Não apenas em setembro, mas em todos os meses.

Então, a partir de hoje, faça o Setembro Amarelo estar presente em todos os dias do ano, pois, agora mesmo, você pode estar ao lado de um Pedro e não saber.

Precisamos falar sobre saúde mental quando o sistema está estável, mas também quando o prazo está apertado. Acolher as vulnerabilidades é uma tarefa diária de lideranças e colegas, exigindo que a empatia saia das campanhas sazonais e entre nas daily meetings.

Um ambiente de trabalho saudável é aquele que reconhece que o profissional é, antes de tudo, uma pessoa.

Como tem sido para você perceber essa diferença entre as campanhas de conscientização e a realidade da sua rotina profissional?

Caso esse tema faça sentido para você ou para a sua equipe, podemos conversar sobre como construir espaços de trabalho mais humanos e menos exaustivos.

À propos de l'auteur

Alexandre Bartoli

Psychologue clinicien, CRP 04/86889. Consultations psychologiques en ligne pour adultes, en portugais brésilien, avec une approche clinique en thérapie cognitivo-comportamentale.

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