{"id":746,"date":"2026-09-14T10:53:09","date_gmt":"2026-09-14T13:53:09","guid":{"rendered":"https:\/\/alexandrebartoli.com\/"},"modified":"2026-09-17T14:22:52","modified_gmt":"2026-09-17T17:22:52","slug":"o-trabalho-acaba-no-computador-mas-continua-na-cabeca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexandrebartoli.com\/it\/o-trabalho-acaba-no-computador-mas-continua-na-cabeca\/","title":{"rendered":"Il lavoro finisce al computer, ma continua nella testa"},"content":{"rendered":"<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/alexandrebartoli.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1785606089550-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-747\" srcset=\"https:\/\/alexandrebartoli.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1785606089550-1024x576.png 1024w, https:\/\/alexandrebartoli.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1785606089550-300x169.png 300w, https:\/\/alexandrebartoli.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1785606089550-768x432.png 768w, https:\/\/alexandrebartoli.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1785606089550-18x10.png 18w, https:\/\/alexandrebartoli.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1785606089550.png 1279w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u201cVoc\u00ea j\u00e1 questionou a natureza da sua realidade?\u201d &#8211; Bernard Lowe, Westworld, temporada 1, epis\u00f3dio 1<\/h2>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Logo no primeiro epis\u00f3dio de <a href=\"https:\/\/youtu.be\/jBfOlQrko0c?si=pI0qjIlI4OcqsHZH\"><em>Westworld<\/em><\/a>, Bernard faz a Dolores uma pergunta que atravessa toda a s\u00e9rie: <strong>\u201cVoc\u00ea j\u00e1 questionou a natureza da sua realidade?\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para quem nunca assistiu, <em><a href=\"https:\/\/youtu.be\/jBfOlQrko0c?si=pI0qjIlI4OcqsHZH\">Westworld<\/a><\/em> \u00e9 uma s\u00e9rie de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ambientada em um parque futurista habitado por androides quase indistingu\u00edveis dos seres humanos. Chamados de anfitri\u00f5es, eles existem para interpretar hist\u00f3rias previamente programadas. Todos os dias, acordam, cumprem seus pap\u00e9is, respondem ao ambiente e repetem o mesmo roteiro sem perceber que est\u00e3o presos em um ciclo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando alguma coisa sai do lugar, suas mem\u00f3rias s\u00e3o apagadas e tudo recome\u00e7a. Aos poucos, por\u00e9m, algumas lembran\u00e7as permanecem. Pequenos inc\u00f4modos come\u00e7am a revelar que aquilo que parecia natural talvez fosse apenas uma repeti\u00e7\u00e3o t\u00e3o antiga que j\u00e1 n\u00e3o era percebida.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"500\" src=\"https:\/\/alexandrebartoli.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1785605661182-e1789393945418.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-749\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es, esse trem tamb\u00e9m pode acontecer na rotina de quem trabalha com tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Voc\u00ea fecha o notebook, mas continua revisando mentalmente o que ficou pendente. Lembra do incidente ainda n\u00e3o resolvido, do <em>pull request<\/em> que ningu\u00e9m revisou ou daquela mensagem que chegou justamente quando voc\u00ea pensou que, naquele dia, conseguiria encerrar o expediente mais cedo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O corpo saiu do trabalho. A cabe\u00e7a, n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O jantar est\u00e1 ali, a conversa est\u00e1 ali e a vida est\u00e1 ali. Mesmo assim, uma parte da mente continua antecipando problemas, calculando riscos e esperando a pr\u00f3xima notifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na tecnologia, esse roteiro pode se instalar de maneira quase impercept\u00edvel. O dia come\u00e7a com uma olhada nas mensagens antes mesmo de colocar o p\u00e9 no ch\u00e3o. Depois vem a primeira reuni\u00e3o, enquanto a alma ainda est\u00e1 procurando o caf\u00e9. Ao longo das horas, aparecem novas demandas, mudan\u00e7as de prioridade, retornos que n\u00e3o chegam e problemas que precisam ser resolvidos. Em algum momento, surge um bug que, claro, resolveu aparecer somente em produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto isso, o backlog continua l\u00e1, firme e forte, igual parente que chega para o almo\u00e7o e vai ficando para o caf\u00e9 da tarde.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No come\u00e7o, voc\u00ea chama esse ritmo de fase. Depois, chama de responsabilidade. Com o tempo, nem chama mais de nada. Apenas continua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No oitavo epis\u00f3dio da primeira temporada de <em>Westworld<\/em>, o Dr. Ford observa que <strong>\u201cvivemos em loops t\u00e3o estreitos e fechados quanto os anfitri\u00f5es\u201d<\/strong>. Talvez seja justamente isso que torne certos ritmos de trabalho t\u00e3o dif\u00edceis de perceber.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A repeti\u00e7\u00e3o vai se tornando normal: <strong>acordar, responder, resolver, entregar, permanecer dispon\u00edvel e recome\u00e7ar no dia seguinte<\/strong>, como se esse fosse o \u00fanico modo poss\u00edvel de viver a carreira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Minha rela\u00e7\u00e3o com esse tema n\u00e3o come\u00e7ou somente na Psicologia. Trabalho com tecnologia desde 1995 e j\u00e1 vivi esse universo como programador, professor, gestor e pesquisador. Por isso, conhe\u00e7o n\u00e3o apenas as ferramentas e as entregas, mas tamb\u00e9m a sensa\u00e7\u00e3o de que sempre existe alguma coisa esperando para ser resolvida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conhe\u00e7o tamb\u00e9m aquele pensamento que aparece depois do expediente: \u201cVou s\u00f3 verificar uma coisa\u201d. Quando voc\u00ea percebe, aquela \u00fanica coisa abriu outras sete.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos \u00faltimos anos, passei a olhar de maneira mais direta para as rela\u00e7\u00f5es entre trabalho e sa\u00fade mental. Essa aproxima\u00e7\u00e3o entre tecnologia e Psicologia me fez perceber que o problema nem sempre est\u00e1 apenas na quantidade de horas trabalhadas. Muitas vezes, ele come\u00e7a quando o trabalho continua trabalhando dentro da pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo longe do teclado, a mente segue revisando conversas, antecipando falhas e imaginando poss\u00edveis consequ\u00eancias. O expediente termina no calend\u00e1rio, mas n\u00e3o termina no corpo. A pessoa est\u00e1 em casa, mas uma parte dela continua de plant\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nem sempre isso aparece como uma grande crise. Pode surgir como irritabilidade, dificuldade para dormir, culpa ao descansar, medo de decepcionar ou sensa\u00e7\u00e3o de que nunca se est\u00e1 fazendo o suficiente. Em outros momentos, aparece como um vazio dif\u00edcil de explicar: a vida continua funcionando, mas alguma coisa por dentro parece desconectada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trabalhar com tecnologia exige responsabilidade. Sistemas caem, clientes cobram, prazos apertam e produ\u00e7\u00e3o assusta. Sexta-feira depois das 16 horas deveria vir acompanhada de um aviso de perigo, embora nem sempre venha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda assim, trabalhar com problemas complexos n\u00e3o deveria significar viver como se tudo fosse uma emerg\u00eancia. Existe uma diferen\u00e7a importante entre ser respons\u00e1vel e estar permanentemente dispon\u00edvel. Tamb\u00e9m existe uma dist\u00e2ncia entre gostar do que se faz e permitir que o trabalho se transforme na principal medida de valor pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para algumas pessoas, descansar n\u00e3o significa apenas interromper uma atividade. Significa correr o risco de n\u00e3o se sentir \u00fatil, competente ou necess\u00e1ria. Quando o reconhecimento foi constru\u00eddo em torno da capacidade de resolver problemas, a pausa pode parecer menos descanso e mais amea\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 nesse ponto que a identidade come\u00e7a a se misturar com a entrega.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pessoa se torna aquela que resolve, responde, sabe, suporta e n\u00e3o pode falhar. Aos poucos, pedir ajuda parece fraqueza, estabelecer limites parece falta de compromisso e admitir cansa\u00e7o parece incompat\u00edvel com a imagem de um profissional competente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela continua entregando, participando das reuni\u00f5es e mantendo tudo funcionando. Por fora, nada parece fora do lugar. Por dentro, por\u00e9m, j\u00e1 n\u00e3o sabe por quanto tempo conseguir\u00e1 sustentar aquele ritmo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em <em>Westworld<\/em>, o ciclo come\u00e7a a se romper quando os personagens percebem a pr\u00f3pria repeti\u00e7\u00e3o. Na vida profissional, talvez o primeiro movimento tamb\u00e9m seja reconhecer o roteiro que se instalou: trabalhar, resolver, entregar, permanecer dispon\u00edvel e recome\u00e7ar no dia seguinte, como se essa fosse a \u00fanica maneira poss\u00edvel de viver a carreira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 apenas o c\u00f3digo que escreve, a sprint que entrega ou o cargo que ocupa. Sua experi\u00eancia profissional tem valor, mas n\u00e3o deveria ocupar todos os espa\u00e7os da vida. Antes da <em>stack<\/em>, da senioridade, das certifica\u00e7\u00f5es e das metas, existe algu\u00e9m que sente, se cansa, precisa de v\u00ednculos e tamb\u00e9m necessita de uma vida fora do modo de opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pode parecer \u00f3bvio, mas muita gente s\u00f3 percebe o quanto se afastou de si quando j\u00e1 n\u00e3o consegue descansar sem culpa. Qualquer sil\u00eancio come\u00e7a a parecer improdutivo. Ficar sem notifica\u00e7\u00f5es provoca uma esp\u00e9cie de coceira mental. O corpo est\u00e1 em casa, mas a cabe\u00e7a continua na empresa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sair desse loop n\u00e3o significa abandonar a carreira, comprar uma <strong>Kombi<\/strong> e vender queijo na Serra da Mantiqueira, embora, dependendo do dia, a ideia pare\u00e7a bastante razo\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m n\u00e3o significa se tornar menos ambicioso, respons\u00e1vel ou comprometido. Pode signific compreender por que dar conta de tudo se tornou t\u00e3o necess\u00e1rio. Pode envolver reconhecer h\u00e1 quanto tempo o descanso deixou de ser descanso, quantas necessidades foram adiadas porque sempre havia algo mais urgente e quanto do valor pessoal ficou preso \u00e0s entregas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No trabalho, aprendemos a perguntar o que ainda falta fazer, qual \u00e9 o pr\u00f3ximo prazo e o que precisa ser corrigido. Talvez seja importante acrescentar outra pergunta: <strong>o que em mim ficou esperando enquanto eu tentava dar conta de tudo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o existe uma resposta pronta. Para algumas pessoas, ser\u00e1 necess\u00e1rio reconstruir limites entre trabalho e vida pessoal. Para outras, ser\u00e1 importante compreender por que errar, pedir ajuda ou dizer \u201cn\u00e3o\u201d produz tanta culpa. Tamb\u00e9m pode ser preciso olhar para o medo de perder desempenho, decepcionar algu\u00e9m ou deixar de ser reconhecido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na psicoterapia, \u00e9 poss\u00edvel observar essa rela\u00e7\u00e3o com o trabalho sem transformar descanso em culpa ou limite em fracasso. N\u00e3o para abandonar a carreira, mas para compreender como a compet\u00eancia deixou de ser apenas uma qualidade profissional e passou a funcionar como uma obriga\u00e7\u00e3o permanente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na escuta cl\u00ednica, essas quest\u00f5es muitas vezes aparecem antes mesmo de a pessoa perceber que est\u00e1 sofrendo. Ela ainda trabalha, entrega, responde \u00e0s mensagens e participa das reuni\u00f5es. A vida continua funcionando no papel, embora por dentro o esfor\u00e7o para manter tudo em opera\u00e7\u00e3o esteja se tornando cada vez maior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reconhecer esse loop pode ser o primeiro passo para construir uma rela\u00e7\u00e3o mais sustent\u00e1vel com o trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fechar o notebook \u00e9 simples. Dif\u00edcil, \u00e0s vezes, \u00e9 convencer a mente de que o expediente terminou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E voc\u00ea: quando fecha o notebook, consegue encerrar o expediente tamb\u00e9m por dentro?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Alexandre Bartoli Monteiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Psic\u00f3logo &#8211; CRP-04 \/ 86889<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cVoc\u00ea j\u00e1 questionou a natureza da sua realidade?\u201d &#8211; Bernard Lowe, Westworld, temporada 1, epis\u00f3dio 1 Logo no primeiro epis\u00f3dio de Westworld, Bernard faz a Dolores uma pergunta que atravessa toda a s\u00e9rie: \u201cVoc\u00ea j\u00e1 questionou a natureza da sua realidade?\u201d Para quem nunca assistiu, Westworld \u00e9 uma s\u00e9rie de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ambientada em um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[45],"tags":[],"class_list":["post-746","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-brasileiros-no-exterior"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alexandrebartoli.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/746","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alexandrebartoli.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alexandrebartoli.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alexandrebartoli.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alexandrebartoli.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=746"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/alexandrebartoli.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/746\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":750,"href":"https:\/\/alexandrebartoli.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/746\/revisions\/750"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alexandrebartoli.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=746"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alexandrebartoli.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=746"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alexandrebartoli.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=746"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}